sábado, 4 de fevereiro de 2017

CAIAQUE LONTRAS BARRACUDA - 2 ANOS DEPOIS



Lá se vão quase dois anos desde que comprei meu caiaque Lontras Barracuda Pro-Fish. Nesse período foram poucas as pescarias e algumas desilusões. Não foi bem a independência que eu imaginava.
Para começar, o transporte do caiaque se mostrou um fator complicador maior do que eu supunha. O rack que comprei não é lá essas coisas, danifica a pintura do carro, por isso mesmo não deixo montado o tempo todo. O ideal seria ter um carro com rack de fábrica, ou que ao menos houvesse a opção de um rack que não causasse danos. E colocar e tirar o rack sempre, enche o saco.
Carregar o caiaque “no lombo” também não é tarefa das mais fáceis. Tudo bem que 35 kg não é muita coisa, mas o tamanho e o formato tornam ele bem difícil de manusear e carregar sozinho. Principalmente se você tiver que parar o carro meio longe da água. Um carrinho de transporte pode ajudar um pouco, mas é difícil de achar para comprar (pelo menos para o Barracuda).
Também tem o fator companhia – dá para pescar sozinho, mas o legal mesmo é pescar ao menos em dupla. Por mais seguro que seja o caiaque, não dá para descartar a possibilidade dar alguma merda e, se você está sozinho no meio do nada, a merda pode ficar muito maior. Infelizmente, não tenho amigos aqui em Poços que pesquem com caiaque.
Outra conclusão que cheguei nesse período foi a de que caiaque e fly não combinam muito. Sentado, seus movimentos de arremesso ficam bastante limitados, principalmente para executar o double haul. Tem gente que consegue pescar em pé no caiaque de boa, mas esse não é meu caso. E a linha de fly enrosca em tudo, remo, quilha, alças. E de repente bate um ventinho que te joga para longe do ponto (ou em cima dele) enquanto você está tentando arremessar e não embolar a linha em tudo. Até pensei em colocar uma poita, mas seria mais uma coisa para a linha enroscar...
Também não ajuda o fato de não haver pontos de pesca realmente bons aqui na região...
É por tudo isso que tenho até pensado em passar o caiaque “nos cobres”...
Tomara que esse ano eu tenha motivos para descartar essa ideia.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

LIVRO DE PESCADOR: O VELHO E O MAR - ERNEST HEMINGWAY



Li esse livro no ano passado, queria lê-lo há bastante tempo, justamente pela sua temática, relacionada com a pesca. Ernest Hemingway gostava de pescar e escreveu o livro em Cuba (onde a História se passa) no ano de 1951.
Fala de um velho pescador chamado Santiago, que há muito tempo não pesca nada (e ele vive disso), até que, um dia, ele sai para o mar e pesca um marlim gigantesco, maior que o seu barco, só com uma linhada de mão. A briga com esse peixe gigante dura uns dois dias, é sofrida e não termina muito bem.
Acho que essa história pode ter vários significados e o mais óbvio é luta do homem com a natureza, poderosa e opressora. Também fala (acho) sobre respeito, admiração e persistência. Santiago não vê o mar como um adversário, mas como um companheiro. Assim também é a relação do personagem com o peixe – apesar de ser seu adversário naquela luta de vida ou morte, ele diz que o ama e o respeita como um “irmão”. Para Santiago, aquele não é somente alimento ou um troféu.
Guardadas as devidas proporções, esse sentimento ambivalente lembrou-me o meu próprio, quando fisgo aquele grande e desejado peixe (apesar de não pretender matá-lo, sei que meu ato lhe causa sofrimento).
Enfim, é uma ótima leitura, indispensável para todo aquele que se considera um pescador esportivo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PESCARIA DE VADEIO (OU VADEO?)



A pescaria de vadeio é minha preferida, pela autonomia que ela dá, pelo contato com a natureza, a emoção da briga com o peixe, etc. Pena que nem todo local que se presta a esse tipo de pescaria, principalmente com equipamento de fly, que exige um certo espaço para executar os arremessos. Por isso os melhores rios para vadear (no fly) são aqueles com leito de pedra, não muito fundos e com mata ciliar não muito fechada. Além disso, é importante utilizar o equipamento adequado, seja por conforto, seja por segurança. Resolvi listar alguns deles (lembrando, mais uma vez, que essas são apenas as impressões pessoais de um mosqueiro pouco experiente e meio sem-noção, sem a pretensão de aprofundar o assunto):
wader
WADER: acho que pescaria no Brasil normalmente não exige o uso desse macacão impermeável, a não ser para a pesca de trutas. Isso porque, se a água não está muito fria, ele não é necessário (e nem desejável, porque esquenta pra cacete), e, se está muito fria, os peixes não estão nem aí (fora a truta). Nas minhas pescarias de tabaranas tenho usado raramente, somente naqueles poucos dias em que água já está meio gelada e o peixe ainda está ativo.
wading bootsBOTAS: As botas específicas para esse tipo de pescaria (wading boots) são necessárias principalmente para rios com fundo de pedras, cheias de lodo. Nesse tipo de leito, pode ser complicado parar em pé com um calçado normal. O problema é que as wading boots são importadas, caras e nem sempre duram muito. Aqui falei do modelo que comprei, a Palix River da Redington. Uma saída mais barata pode ser colar um pedaço de feltro grosso ou carpete no solado de uma bota normal, muita gente faz isso. É interessante também que sejam botas, de cano alto e firme, o que ajuda a evitar a torção de tornozelo durante a caminhada.
BERMUDA E MEIAS DE NEOPRENE: em dias em que a água está um pouco mais fria, uma bermuda de neoprene por baixo da calça quebra bastante o galho no wet wading, mantendo o corpo aquecido onde interessa (exatamente onde você está pensando). Já as meias eu uso sempre, inclusive para que as botas de vadeio não fiquem largas demais no meu pé (elas têm o tamanho próprio para usar com o wader, que já tem meias de neoprene bem grossas acopladas).
BASTÃO AUXILIAR: também conhecido como Wading staff. Sempre achei que esse item fosse frescura, mas não é. Faz muita diferença principalmente quando se está caminhando em uma parte mais profunda do rio, onde você não enxerga onde está pisando, ou em pontos de corredeira muito forte. Na falta de um bastão próprio para fly, comprei um bastão de caminhada normal, retrátil, que custa por volta de R$ 100,00. Vale cada centavo.